A endometriose é muito mais do que um diagnóstico em um papel, ela é uma experiência real, sentida no corpo, na mente e na alma de milhões de mulheres.
Eu sei que, para você que lê este texto, essa palavra pode carregar o peso de dias difíceis, de dores que te fizeram duvidar da sua própria força e de uma exaustão que parece não ter fim.
Imagine que algumas células do endométrio, aquele tecido que reveste o útero por dentro, decidiram se aventurar por outros lugares. Elas podem se instalar nos ovários, no intestino ou na bexiga.
O problema é que, mesmo perdidas, elas continuam obedecendo ao ciclo menstrual. Dessa forma, todo mês, elas sangram. Esse sangue, fora do lugar, provoca uma intensa reação inflamatória. É essa inflamação que causa a dor profunda, as cólicas incapacitantes e todos os outros sintomas que afetam tanto a sua qualidade de vida.
Portanto, quero te convidar a olhar para este momento não como um ponto final, mas como um ponto de partida. Um ponto onde a informação de qualidade e o cuidado se encontram para te dar poder.
Entendendo a dor da endometriose
Primeiramente, é fundamental que você entenda e valide o que sente. A dor da endometriose não é uma cólica comum.
Ela se manifesta de formas diferentes e intensas, podendo ser uma pontada aguda, uma dor profunda durante a relação sexual ou uma pressão constante na região pélvica que irradia para as costas e pernas.
Muitas mulheres que recebo no consultório passaram anos ouvindo que sua dor era “normal”. Por isso, afirmo com toda a convicção: sua dor é real e merece atenção.
O peso invisível da luta diária
Além da dor física, existe um peso que só quem vive com a condição conhece. É o peso de ter que cancelar compromissos, de sentir o desempenho no trabalho cair por conta do cansaço crônico e de ver a vida social e os relacionamentos serem afetados.
Essa luta silenciosa gera um desgaste emocional imenso, pois lutar contra uma dor que ninguém vê é uma batalha solitária. Reconhecer esse fardo é o primeiro passo para começar a se libertar dele.
Por que dói tanto?
Fisiologicamente, essa dor crônica se instala por um ciclo vicioso. O tecido endometrial ectópico (fora do lugar) sangra e inflama os órgãos ao redor.
Com o tempo, essa inflamação crônica pode criar aderências, que são como teias de cicatrizes internas, “colando” um órgão no outro.
Assim, um simples movimento do intestino ou o enchimento da bexiga podem se tornar extremamente dolorosos. Entender esse mecanismo te ajuda a perceber que o tratamento precisa focar em desarmar essa inflamação.
O diagnóstico: o primeiro passo para o alívio
O caminho para o alívio começa com um diagnóstico preciso. Muitas vezes, a mulher passa por diversos médicos e leva anos até ter o nome certo para o seu sofrimento.
Mas, a investigação da endometriose requer um olhar treinado e exames específicos, como a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética da pelve.
Esses exames nos permitem mapear onde estão as lesões, qual o tamanho delas e quais órgãos estão sendo afetados por essa condição.
Um ponto de virada para a sua vida
Receber o diagnóstico pode ser um misto de emoções: medo pelo que virá, mas também um imenso alívio. Finalmente, sua dor tem um nome. Ela não é “frescura”. Ela tem uma causa física e tratável.
Esse momento é transformador, pois tira você do lugar de dúvida e te coloca no lugar de ação. A partir daqui, nós podemos traçar um plano de tratamento claro e direcionado para as suas necessidades e para os seus focos de dor.
Minha parceria com você nesta etapa
Eu vejo o processo de diagnóstico como o início de uma grande parceria entre mim e você. É um momento em que a confiança é a base de tudo. Minha função é te guiar com segurança por cada etapa, explicando os exames, traduzindo os resultados e, principalmente, te ouvindo.
Compreender seus sintomas, seus medos e seus objetivos de vida é o que me permite desenhar o melhor caminho terapêutico para que você possa, de fato, viver melhor.
Estratégias práticas que aliviam a dor
Enquanto planejamos um tratamento médico, existem muitas coisas que você pode começar a fazer hoje para gerenciar a dor. Algumas ações simples trazem um conforto quase imediato:
- O abraço do calor: uma bolsa de água quente na região pélvica ou nas costas relaxa a musculatura e alivia as cólicas de forma muito eficaz.
- A respiração como calmante: quando a dor vier, concentre-se em uma respiração lenta e profunda. Isso ajuda a diminuir a tensão do corpo, que muitas vezes intensifica a percepção da dor.
- Movimentos gentis: alongamentos leves, focados na região da pelve e lombar, podem soltar a musculatura e aliviar a sensação de pressão.
Alimentação anti-inflamatória
A alimentação tem um papel gigantesco no controle da inflamação causada pela endometriose. Costumo dizer que precisamos parar de “colocar lenha na fogueira”.
Por isso, é muito benéfico reduzir o consumo de alimentos que aumentam a inflamação no corpo. Em contrapartida, uma dieta rica em certos nutrientes funciona como um verdadeiro bálsamo.
Alimentos a serem evitados ou reduzidos:
- Açúcares e farinhas refinadas.
- Carnes vermelhas e embutidos.
- Gorduras trans e alimentos ultraprocessados.
- Para algumas mulheres, glúten e laticínios também podem ser gatilhos.
Alimentos para incluir na sua rotina:
- Vegetais verde-escuros (couve, espinafre).
- Frutas vermelhas e cítricas.
- Peixes ricos em ômega-3 (salmão, sardinha).
- Gorduras boas (abacate, azeite de oliva, castanhas).
Movimento é remédio: encontre sua atividade
Eu sei que, quando estamos com dor, a vontade é de ficar parada. No entanto, o movimento consciente e de baixo impacto é um dos melhores remédios.
Atividades físicas liberam endorfinas, nossos analgésicos naturais, melhoram o fluxo sanguíneo na pelve e ajudam a diminuir o estresse, que é um gatilho para a dor.
O segredo é encontrar algo que te dê prazer e que respeite os limites do seu corpo. Algumas excelentes opções são a ioga, o pilates, as caminhadas e a natação.
Tratamentos médicos: criando um plano personalizado para você
Quando falamos de tratamentos médicos, é essencial saber que não existe uma receita de bolo. O plano de cuidados para a endometriose deve ser totalmente personalizado.
Para muitas mulheres, o tratamento clínico é o primeiro e mais importante passo. Ele pode envolver o uso de pílulas anticoncepcionais de uso contínuo ou a inserção do DIU hormonal, por exemplo.
O objetivo principal é suspender a menstruação, colocando os focos da doença para “dormir”, o que consequentemente acalma a inflamação e controla a dor.
Tratamento cirúrgico
Em alguns casos, quando as lesões são mais extensas, profundas ou não respondem bem ao tratamento clínico, a cirurgia pode ser indicada. O procedimento, chamado de videolaparoscopia, é minimamente invasivo.
Através de pequenas incisões, conseguimos remover os focos de endometriose e liberar as aderências que podem estar causando dor.
Ou seja, a decisão pela cirurgia é sempre tomada em conjunto, após avaliarmos cuidadosamente todos os prós e os contras para o seu caso específico, sempre pensando no seu bem-estar e nos seus planos de vida.
A abordagem multidisciplinar
A ciência tem avançado muito, e hoje sabemos o que faz a maior diferença no tratamento da endometriose.
Um importante estudo, publicado na renomada revista médica The Lancet, confirmou algo que vejo na prática: os melhores resultados acontecem quando unimos diferentes frentes de cuidado. Isso significa que, para um tratamento completo, sua equipe de apoio pode incluir:
- Ginecologista especialista: para guiar o diagnóstico e o tratamento clínico ou cirúrgico.
- Fisioterapeuta pélvico: essencial para tratar dores musculares, dor na relação e melhorar a função dos músculos da pelve.
- Nutricionista: para montar um plano alimentar anti-inflamatório personalizado.
- Suporte psicológico: para te ajudar a lidar com o impacto emocional da dor crônica.
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Um novo capítulo para a sua vida
Existem inúmeras ferramentas, estratégias e tratamentos capazes de te devolver o controle, aliviar sua dor e permitir que você viva de forma plena, ativa e feliz. Ou seja, a informação é o primeiro passo para essa transformação.
Quero que você saiba que não está sozinha nesta caminhada. Afinal, meu propósito como médica vai além de diagnosticar e tratar uma condição. Meu objetivo é cuidar de você, da mulher por trás do diagnóstico. É te oferecer um espaço seguro para ser ouvida, para tirar suas dúvidas e para se sentir acolhida em todas as suas vulnerabilidades e em toda a sua força.
Por isso, se você se identificou com o que leu, se sentiu o peso da dor da endometriose e o desejo de encontrar um caminho para viver melhor, dê o próximo passo. Agende uma consulta pelo botão abaixo.
Vamos conversar, entender profundamente o seu caso e construir um plano de cuidado personalizado e afetivo para você. Permita-se receber o cuidado que você merece e iniciar um novo capítulo de bem-estar na sua vida.