Indução do parto: vamos separar os mitos das verdades?

A indução do parto é um tema que assusta muitas mulheres, e eu entendo completamente. No consultório, recebo muitas perguntas sobre isso. Tem muito medo envolvido, muita desinformação também. Por isso, acho importante a gente conversar abertamente sobre o assunto.

Gente, o medo é totalmente compreensível, tá? O parto já é um momento que gera tantas expectativas, né? E a ideia da indução parece tirar aquele controle que a gente tanto quer ter. Mas deixa eu te dizer uma coisa: a informação correta é a melhor ferramenta que você tem contra o medo.

Meu objetivo aqui é desmistificar a indução do parto com você. Vamos separar o que é mito do que é verdade. A indução é um procedimento médico, ela tem indicações muito claras e precisa ser feita com segurança. Vamos entender isso direitinho?

O que é a indução do parto, afinal?

A indução é quando a gente inicia o trabalho de parto de forma artificial, sabe? Usamos medicamentos ou até métodos mecânicos para fazer isso. O objetivo é provocar as contrações uterinas antes que o trabalho de parto comece sozinho, de forma natural.

É importante você saber que indução é diferente de condução do parto. A condução acontece quando o trabalho de parto já começou, mas as contrações estão fraquinhas ou muito espaçadas. Aí a gente usa ocitocina para dar mais ritmo, entende?

A indução, então, começa o processo do zero mesmo. Ela é uma ferramenta que usamos pensando na segurança sua e do seu bebê. E olha, eu nunca indico uma indução por conveniência, viu? Sempre existe uma razão médica clara para isso.

Mito 1: Se induzir, vai terminar em cesárea

Esse é um dos maiores medos que eu escuto no consultório. Muitas mulheres acreditam que se a gente induzir, vão direto para a cesárea. Mas gente, isso não é verdade. A indução é uma tentativa de parto vaginal, tá?

É claro que existe uma chance de não dar certo. Em alguns casos, o corpo pode não responder como esperado. O colo do útero pode não dilatar. Nesses cenários, sim, a cesárea pode acabar sendo necessária.

Mas olha que interessante o que a ciência mostra pra gente: tem um estudo grande, de 2018, que surpreendeu todo mundo. Ele mostrou que induzir o parto em gestantes de baixo risco com 39 semanas, na verdade, diminuiu as taxas de cesárea. Isso quando comparado com quem esperou o parto começar sozinho. Impressionante, né?

Verdade 1: A indução tem indicações médicas muito claras

Sim, isso é verdade absoluta. A indução do parto não é uma escolha aleatória, gente. Ela é um recurso que usamos para prevenir complicações. Eu só recomendo a indução quando os riscos de esperar são maiores que os riscos de induzir.

Existem motivos ligados à saúde da mãe e motivos ligados ao bebê. Vou listar alguns dos mais comuns pra você:

  • Pós-datismo: quando a gestação passou de 41 semanas. A placenta pode começar a falhar, e isso coloca o bebê em risco.
  • Pré-eclâmpsia: aquela pressão alta na gestação. O parto é o único tratamento definitivo, tá?
  • Bolsa Rota: quando a bolsa estourou, mas o trabalho de parto não começou. Isso aumenta muito o risco de infecção.
  • Diabetes Gestacional: especialmente se o bebê está ficando muito grande ou se o controle está difícil.
  • Restrição de crescimento: quando o bebê não está crescendo bem dentro do útero.

Cada caso é único, viu? Por isso, eu avalio com muito cuidado. A gente conversa bastante e decide juntas. A sua saúde e a do seu bebê são sempre a prioridade.

Mito 2: A indução é muito mais dolorosa

Essa é uma queixa que eu escuto bastante, e tem um fundo de verdade nisso. A percepção da dor é muito individual, né? Mas muitas mulheres relatam que as contrações são mais intensas e vêm de forma mais rápida com a indução.

Vamos entender por que isso acontece? No parto espontâneo, os hormônios vão subindo aos pouquinhos. O corpo tem tempo de liberar endorfinas, que são nossos analgésicos naturais. As contrações começam leves e vão ganhando ritmo de forma gradual.

Na indução, a gente usa ocitocina sintética. Ela pode fazer as contrações ficarem fortes e próximas mais rapidamente do que no parto natural. O corpo não tem aquele tempinho de adaptação. Por isso, sim, a sensação pode ser mais intensa.

Mas aqui vai a parte importante:  você não precisa sentir dor. A gente tem muitas opções para alívio. A analgesia de parto está disponível. Podemos usar métodos não farmacológicos também, como banho quente, bola, massagem. O importante é que você saiba que tem opções, que você não vai ficar sozinha nessa.

Como funciona a indução na prática?

Quando a gente decide pela indução do parto, seguimos algumas etapas. O primeiro passo é avaliar o colo do útero. Eu preciso saber se ele está “maduro”, ou seja, se está pronto para o trabalho de parto.

Um colo maduro está macio, fininho e começando a abrir. Se o colo estiver “verde” (grosso e bem fechado), a gente precisa prepará-lo primeiro. Para isso, podemos usar métodos mecânicos, como a sonda de Foley (que é um balãozinho). Ou então usamos medicamentos, como o Misoprostol em comprimidos.

Depois que o colo está preparadinho, iniciamos a ocitocina. Esse é o hormônio sintético que causa as contrações. Eu uso uma bomba de infusão para controlar direitinho. A dose é controlada e aumentada aos poucos, bem devagar. Durante todo esse tempo, a gente monitora o seu bem-estar e os batimentos do bebê.

Verdade 2: É um procedimento seguro quando bem indicado

Sim, a indução é segura. Ela é feita em ambiente hospitalar, com você e o bebê sendo monitorados o tempo todo. Isso nos permite agir rapidinho se algo sair do esperado, tá?

Como todo procedimento médico, existem riscos, sim. Pode acontecer do útero contrair demais. Ou o bebê pode não tolerar bem as contrações. Mas esses riscos são controlados justamente pelo monitoramento contínuo.

É por isso que a gente fica de olho o tempo todo. Eu fico atenta aos sinais. Se necessário, eu diminuo a ocitocina. Ou até mesmo pauso a indução por um tempo. A segurança é o que guia todas as nossas ações, sempre.

Vamos nessa?

Espero ter esclarecido os principais pontos sobre a indução do parto. A informação correta te dá poder de escolha, te ajuda a participar das decisões com segurança. A indução não é uma vilã, gente.

Ela é uma ferramenta médica muito importante. Ela salva vidas quando usada corretamente. Se eu te recomendar uma indução, pode ter certeza que vou explicar direitinho o porquê. Vou tirar todas as suas dúvidas, quantas vezes for necessário.

Estou aqui para te ajudar a ter uma gestação tranquila e um parto seguro. Se você está com dúvidas sobre indução, sobre seu pré-natal ou sobre qualquer fase da sua gestação, vamos conversar? Agende sua consulta e vamos encontrar o melhor e mais seguro caminho para você e seu bebê.