A flacidez vaginal é uma daquelas sensações que muitas mulheres sentem, mas poucas têm coragem de nomear ou discutir abertamente, nem mesmo com as amigas mais próximas.
Talvez você tenha notado uma diferença na sensibilidade durante a relação íntima, ou uma sensação de “vagina larga” que simplesmente não existia antes. Quero que a primeira coisa que você sinta ao ler este texto seja acolhimento, pois essa percepção é real, é válida e, mais importante, é muito mais comum do que você imagina.
Para entender o que acontece, pense na pele do nosso rosto. Com o tempo, ela perde colágeno e elastina, que são as fibras que dão sustentação e firmeza. Dentro do canal vaginal acontece um processo muito parecido.
Fatores como gestações, partos, alterações hormonais e o próprio envelhecimento diminuem a produção dessas fibras essenciais, deixando o tecido menos elástico e mais “solto”. Portanto, não é uma imaginação sua, é uma mudança biológica real do seu corpo que afeta a estrutura dos tecidos.
A ginecologia moderna, felizmente, evoluiu imensamente e hoje não enxergamos mais essa condição como um destino inevitável. Nós temos tecnologias e abordagens incríveis que nos permitem reverter esse processo e recuperar a firmeza e o tônus da região íntima.
O que causa a flacidez vaginal? Entendendo seu corpo
A perda de firmeza na região íntima não acontece por um único motivo, nem da noite para o dia. Na verdade, ela é um processo que resulta de uma combinação de fatores e eventos que fazem parte da história de vida da mulher.
Cada um desses eventos deixa uma marca, alterando a biologia dos tecidos. Reconhecer essas causas nos ajuda a entender que este é um processo natural e, principalmente, a direcionar o tratamento correto para cada caso.
O impacto da gestação e do parto
Durante os nove meses de gestação, o corpo passa por transformações imensas. O assoalho pélvico, que é aquela rede complexa de músculos e ligamentos que sustenta a bexiga, o útero e o intestino como uma cama elástica, é imensamente sobrecarregado pelo peso crescente do bebê.
Além disso, hormônios como a relaxina trabalham para deixar os tecidos mais maleáveis em preparação para o parto. Essa combinação de peso contínuo e relaxamento ligamentar já representa um grande estresse para a sustentação da região. No momento do parto vaginal, essa estrutura é levada ao seu limite.
O canal vaginal e a musculatura se esticam de uma forma extraordinária para permitir a passagem da criança. Esse estiramento pode causar microlesões nas fibras de colágeno e elastina, que são as responsáveis pela elasticidade do tecido.
Mesmo com a incrível capacidade de recuperação do corpo feminino, é muito comum que essas fibras não retornem completamente ao seu estado original, podendo levar a uma sensação de flacidez vaginal no pós-parto.
A influência das mudanças hormonais e da menopausa
O estrogênio é um hormônio fundamental para a saúde e a vitalidade da região íntima da mulher. Ele é o grande maestro que comanda a produção de colágeno, mantém a espessura da mucosa vaginal, garante uma boa lubrificação e um fluxo sanguíneo adequado.
Quando nos aproximamos da menopausa, os ovários diminuem drasticamente a produção de estrogênio. Essa queda hormonal leva a um processo chamado de atrofia vulvovaginal. Com menos estrogênio, o fluxo sanguíneo para a região diminui, o que significa que menos oxigênio e nutrientes chegam às células.
As células que produzem colágeno, os fibroblastos, ficam menos ativas. Como resultado, a parede da vagina torna-se mais fina, pálida, menos elástica e mais seca, o que é sentido como flacidez.
O efeito natural do envelhecimento
Mesmo antes da menopausa, o corpo já passa por um processo de envelhecimento cronológico. Assim como acontece com a pele de todo o corpo, a região íntima também envelhece.
A ciência nos mostra que, a partir dos 30 anos, nossa produção natural de colágeno começa a diminuir progressivamente, cerca de 1% ao ano. Essa queda gradual e contínua afeta a firmeza de todos os tecidos conjuntivos do corpo, incluindo a parede vaginal.
É um processo biológico normal, que se soma aos outros fatores ao longo da vida, mas que hoje a ginecologia regenerativa nos oferece ferramentas para contrapor ativamente.
Os sinais no dia a dia: como a flacidez se manifesta
Muitas mulheres que sentam aqui na minha frente, no consultório, chegam com uma queixa que, para elas, é difícil de colocar em palavras. Elas sentem que algo mudou, mas não sabem nomear.
A flacidez vaginal não é um conceito abstrato, ela se manifesta através de sinais e sensações muito concretos que impactam a rotina, a vida íntima e a autoconfiança. Vamos falar abertamente sobre eles.
Na intimidade: menos atrito e sensibilidade
Um dos relatos mais comuns que escuto é a diminuição do atrito durante a relação sexual. A mulher sente que a penetração está com menos contato, menos “justa”. Isso acontece porque a parede vaginal, ao perder colágeno e suas pregas naturais, perde também parte do seu “acolchoamento”.
Como consequência, a fricção diminui, o que pode levar a uma redução significativa do prazer e da sensibilidade, tanto para a mulher quanto para o seu parceiro. Essa mudança, que é puramente física, pode abalar a autoestima e gerar insegurança.
No corpo: a sensação de “vagina larga” ou frouxidão
Essa é uma percepção muito subjetiva, mas extremamente real para quem a sente. É uma sensação de que a vagina está mais “aberta” ou frouxa, que pode ser notada ao caminhar ou durante a prática de exercícios.
Algumas mulheres relatam que até o absorvente interno parece não se ajustar da mesma forma. Essa consciência alterada do próprio corpo pode ser muito desconfortável, afetando a imagem corporal e a confiança da mulher em seu próprio corpo no dia a dia.
Outros sinais: flatos vaginais e desconforto
A flacidez também pode causar os constrangedores flatos vaginais, que são aqueles barulhos de ar que saem da vagina durante a relação ou ao fazer certos movimentos, como em uma aula de ioga.
Isso acontece porque o ar entra com mais facilidade no canal vaginal que perdeu seu tônus e, com a contração da musculatura, ele é expelido. Além disso, uma flacidez mais acentuada pode estar associada a uma leve perda de urina ao tossir ou espirrar, indicando que a fraqueza dos tecidos já começa a comprometer o suporte da uretra.
A diferença essencial: músculo vs. tecido
Este é um dos pontos mais importantes da nossa conversa e que muitas vezes é ignorado. A flacidez vaginal pode ter duas origens diferentes, e o tratamento para cada uma delas também é distinto. Um diagnóstico correto é o que nos permite agir na causa certa do problema.
Flacidez do assoalho pélvico (muscular)
Neste caso, o problema está na rede de músculos que sustenta a bexiga, o útero e o intestino. Pense no assoalho pélvico como uma cama elástica firme que ampara tudo. Quando esses músculos estão fracos ou frouxos, essa cama elástica perde a tensão.
A sensação é mais de “fundo” da vagina, como se algo estivesse “pesado” ou “caindo”. Este tipo de flacidez é a principal causa da incontinência urinária de esforço e dos prolapsos genitais (a “queda” dos órgãos).
Flacidez da parede vaginal (tecido e colágeno)
Aqui, a musculatura do assoalho pélvico pode até estar forte, mas o problema está no revestimento interno, na parede do canal vaginal em si. É a perda de colágeno e elastina do tecido e da mucosa, que faz com que ela perca sua espessura e firmeza.
A sensação é mais de “largura” do canal, e não de “fundo”. É essa flacidez que está diretamente ligada à diminuição do atrito na relação sexual. É importante saber que, muitas vezes, os dois tipos de flacidez acontecem ao mesmo tempo.
Como recuperar a firmeza?
A ginecologia regenerativa nos trouxe um arsenal de tratamentos seguros e eficazes. O primeiro passo é sempre uma consulta detalhada e um exame físico cuidadoso para entendermos qual o seu tipo de flacidez e, assim, montarmos um plano de tratamento personalizado para você.
Para os músculos, fisioterapia pélvica
Se o seu problema é principalmente muscular, o tratamento padrão-ouro é a fisioterapia pélvica. Com exercícios específicos, uso de cones vaginais, biofeedback e outras técnicas, um fisioterapeuta especializado te ajudará a fortalecer e a recuperar o tônus e a função do assoalho pélvico. É como uma musculação direcionada e inteligente para a região íntima, com resultados excelentes e duradouros para a sustentação dos órgãos.
Para o tecido, tecnologias que estimulam colágeno
Se o foco é a flacidez da parede vaginal, precisamos agir diretamente no tecido para estimular o corpo a produzir novo colágeno. Para isso, as tecnologias mais modernas e eficazes são o laser íntimo e a radiofrequência.
O laser de CO2, por exemplo, emite pequenos feixes de luz que aquecem a parede da vagina, enquanto a radiofrequência utiliza outra forma de energia para o mesmo fim. Esse aquecimento controlado causa uma remodelação do tecido e estimula intensamente as células a produzirem novas fibras de colágeno e elastina.
A segurança e eficácia desta abordagem não são apenas uma promessa, elas são validadas por estudos científicos, como uma importante revisão publicada no Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology, que confirmou as altas taxas de satisfação das pacientes com o tratamento para a flacidez vaginal.
Na prática, o resultado é uma parede vaginal mais espessa, mais firme e com maior lubrificação.
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Um ato de cuidado e reconexão com seu corpo
Ao final da nossa conversa, o que eu mais quero que fique para você é a certeza de que sentir-se bem com o próprio corpo e com a própria intimidade é um direito seu.
A flacidez vaginal não é um destino inevitável nem um problema menor que você precisa aceitar em silêncio. É uma condição com causas claras e, principalmente, com soluções eficazes e seguras, capazes de devolver o seu conforto.
Cuidar da sua saúde íntima é um dos maiores atos de autocuidado que você pode ter. É se dar a oportunidade de viver sem desconforto, com a autoestima elevada e com uma vida sexual plena e prazerosa. Buscar ajuda não é sinal de fraqueza, mas sim de força, de amor-próprio e de uma mulher que decidiu ser a protagonista do seu bem-estar, em todas as fases da vida.
Se você se identificou com os sentimentos e as situações que descrevi, se essa conversa fez sentido para você, eu te convido a dar o próximo passo. Agende uma consulta pelo botão abaixo. Vamos conversar abertamente, sem tabus e sem julgamentos.